O Natal dos Livros
Não, não é um post sobre "o Natal dos livros" tipo os livros com contos de Natal do Charles Dickens, Dostoievski e tal. É sobre um Natal da minha família mesmo. Mas sem primos fazendo stripp.
First things first: eu tenho uma família grande, com vários tios, tias, primos, primas, avós, etc. E um dos tios é todo intelectual: fala vários idiomas, é campeão de xadrez, e sempre deu vários brinquedos educativos pros sobrinhos, como quebra-cabeças, jogos de raciocínio, memória, etc, sempre com o intuito de estimular o intelecto da molecada.
Um belo dia na véspera de Natal ele telefonou pra cada sobrinho perguntando: "Que presente vocês vão querer?"... mas era um pergunta capciosa, pois ele dizia que podia dar jogos de tabuleiro (tipo banco imobiliário) ou uma coleção de livros chamada "O Mundo da Criança", que ele tinha achado em excelentes condições num sebo. Humm...
Aí entra o x da questão: minha mãe e suas irmãs tiveram essa coleção de livros quando crianças (tá na casa da minha vó até hoje) e elas sempre brincaram com os livros. Ao todo são uns 12 livros com temas diferentes: Artesanato para Crianças, Histórias da Mitologia Grega, Histórias do Monteiro Lobato, Origami e Outras Brincadeiras com Papel, Guia de Brincadeiras para Dias de Chuva, Culturas das Crianças de todos os lugares do Planteta, Como fazer Bombas Caseiras (tá, eu inventei esse), entre outros.
E minha mãe sempre ensinou que livro é legal, que ter livros é ter patrimônio, e que essa coleção era massa e que ela e as irmãs adoravam. Tudo isso me veio à mente.
Pois bem, tava eu lá no telefone, pensando na proposta do meu tio. O que eu escolhi? LIVROS!!! Eu falei: "- Eu quero os LIVROS!!!" Meu tio ficou todo orgulhoso, e me parabenizou pela escolha.
Chegou na noite de Natal, meus primos e primas abriam alucinados os pacotes de jogos, e eu e a minha irmã ganhamos os livros. Eu fiquei mó feliz. Ela ficou simplesmente PUTA. Especialmente porque aquele tio era o "tio com grana" que sempre dava os presentes mais bacanas. E eu gastei a nossa oportunidade com livros. Me senti o menino que trocou a vaca por feijões mágicos.
Mas eu não fiz aquilo pra foder com ela, eu achava que ela ia gostar também... A sorte é que a minha irmã era muito pequena pra usar a expressão "enfia essas merdas de livros no cu!"...
Tudo bem, dou razão pra minha irmã, afinal, ela deveria ter podido escolher também... mas nós temos os livros até hoje, enquanto que os meus primos já perderam todas as peças do "Quebra Gelo", "Grilolô na calça do vovô" e "Galinha Maluca"...
As crianças de hoje não gostam de livros. As do meu tempo também não gostavam. Logo, acho que sempre fui meio nerd...


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